Como fazer compostagem doméstica?

Nasci e cresci no campo, numa pequena aldeia do interior ribatejano. Há 12 anos, mudei para Lisboa, à procura dos meus sonhos e, apesar de morar numa das melhores zonas da cidade, sentia falta do verde e da terra, e queria muito dar às minhas filhas espaço para crescerem e brincarem lá fora. Sonhava com o nosso pequeno jardim na cidade e encontrei-o!

Agora temos um jardim onde as miúdas correm, brincam, ajudam na jardinagem, e onde eu pude atingir mais uma meta sustentável – fazer compostagem doméstica.

“Mãe, para que serve aquele caixote no jardim?”

Estima-se que em Lisboa, por dia, 240 toneladas de lixo comum indiferenciado sejam biodegradáveis. É uma grande quantidade de resíduos que poderiam ser valorizados em vez de irem parar a fornos de incineração ou a aterros sanitários.

Através do processo de transformação biológica a que se chama compostagem, os restos de frutas e vegetais, as folhas de chá, as borras do café, as cascas de ovo, as folhas do jardim e as plantas secas da horta ganham uma nova vida – são transformados em fertilizante. O fertilizante ou adubo funciona como corretor agrícola, nutre os solos e melhora as suas propriedades, evitando a necessidade de recurso a fertilizantes químicos. No mesmo processo, reciclamos matéria orgânica e reaproveitamos os resíduos que produzidos em casa.

Lisboa a compostar

A Câmara Municipal de Lisboa e a Valorsul, empenhadas em reduzir a quantidade de resíduos urbanos biodegradáveis que são incinerados, desenvolveram o programa “Lisboa a compostar”. Este projeto visa a formação em compostagem e a distribuição gratuita de compostores domésticos aos munícipes com espaço exterior. Em seis meses, foram entregues 900 compostores (o nosso é um deles!), já foi iniciada a instalação de compostores comunitários e está prevista a recolha porta a porta de orgânicos em algumas zonas da cidade.

“A educação é a arma mais poderosa que se pode usar para mudar o mundo”
– Nelson Mandela

Além de me sentir útil ao diminuir a quantidade de resíduos produzidos na nossa cidade e no nosso planeta, sinto que, acima de tudo, é muito importante passar a mensagem ecológica e incluir as miúdas na missão sustentável. Tanto a Dalila como a Alice participam na separação dos resíduos para reciclagem, sabem que o plástico “não é amigo”, que o desperdício de água “faz mal ao planeta” e agora ganharam um novo desafio: apanhar as folhas secas do jardim para fazer compostagem doméstica. 🌿