Sustentabilidade e poupança

Sustentabilidade e poupança

Idealista pura, gosto de acreditar que as mudanças nascem da vontade em fazer melhor e não gosto muito de abordar a sustentabilidade por este prisma… Mas se é preciso um incentivo extra, aqui está ele: sustentabilidade e poupança andam de mãos dadas!

Sustentabilidade e poupança

Sustentabilidade e poupança – disclaimer

Existe a ideia pré-concebida de que um estilo de vida sustentável é mais caro mas eu gostava de desmistificar esta questão… Ser sustentável não passa por comprar todos os utensílios catalogados numa tabela de trocas zero waste bonitinha do Pinterest. É óbvio que uma garrafa reutilizável nos vai ajudar a recusar muitas descartáveis mas não é preciso gastar 30euros na garrafa – uma amiga transformou uma garrafa de polpa de tomate antiga na sua garrafa de água de sempre, por exemplo.

Ser sustentável é ter noção das reais necessidades e consumir de acordo com elas. É não ter medo de recusar e reutilizar até à exaustão.

Têm noção de quanto dinheiro conseguem poupar se levarem estes mandamentos a sério?

Eu fiz as contas!

  • Não comer carne – A carne é um rombo gigante no orçamento familiar. A partir do momento em que deixei de comprar carne, poupei cerca de 59,48 euros/mês;
  • Comprar a granel – Quando compramos algo que está embalado, 15% do preço serve para cobrir o custo da embalagem. No caso dos detergentes, essa percentagem aumenta para os 70%. Comprar a granel traduz-se naturalmente em poupança;
  • Embalagens eco – Nem sempre é possível comprar a granel. Nesse caso, prefiro embalagens eco. Dou-vos o exemplo do café: a diferença entre o valor de 62 cafés/mês em cápsula e o valor de 62 cafés em embalagem de 220g é de 15,18euros. Afinal o que estamos a pagar? O café ou as embalagens? Precisamos mesmo delas?
  • Garrafa de água reutilizável – A frase que corre o instagram sob o hashtag #zerowaste “Bottled water companies do not produce water, they produce plastic bottles” não podia estar mais correcta. Reutilizar a mesma garrafa ao invés de comprar descartáveis fez-me poupar 25,5 euros/mês (30*0,85);
  • Copo menstrual – O copo anula os cerca de 30 absorventes que, em média, uma mulher usa por mês, traduzindo-se numa poupança de 4,5 euros/mês;
  • Toalhitas reutilizáveis – Troquei as toalhitas descartáveis por reutilizáveis com creme desmaquilante. Esta alteração poupou-me cerca de 1,5euros/mês contabilizando o preço do creme;
  • Um saco reutilizável poupa-me, no mínimo, 0,4 euros/mês. Qualquer utensílio reutilizável induzirá a poupança, quer sejam guardanapos de pano que substituem os de papel descartáveis, tampas de silicone que anulam a película aderente ou palhinhas de metal que substituem as de plástico. No entanto, só faz sentido investir nestes utensílios se forem adequados à nossa vida. Nunca usei palhinhas, portanto não me faz sentido investir numa reutilizável;
  • Fazer em casa – Uma bebida vegetal de coco custa, no supermercado, 2,29euros. Fazê-la em casa custa 0,77 (valor de 77gramas de coco ralado necessário). Tudo o que puder ser feito em casa traduz-se naturalmente em poupança;
  • Produtos de limpeza – Pensar na sugestão anterior, levou-me a redescobrir a magia do vinagre, do bicarbonato de sódio e do sabão azul, o que me poupou uns bons trocos ao fim do mês – cerca de 5euros poupados;
  • Desperdício alimentar – Segundo a FAO, “um terço da comida mundialmente produzida é desperdiçada” e isso significa dinheiro deitado ao lixo! Comprar de acordo com as necessidades familiares, fazer refeições adequadas, reaproveitar sobras e congelar restos são ferramentas de poupança;
  • Reduzir fast food/take away/home delivery – Reduzi bastante a quantidade de comida feita fora de casa não só pela quantidade de plástico em que normalmente vem envolvida como também pela pegada carbónica e custos de transporte associados – cerca de 50euros poupados/mês;
  • Roupa em segunda mão – Poupei muito dinheiro (e espaço!) em roupa. Como tenho bastantes eventos e preciso de várias alternativas de guarda roupa, passei a contratar serviço de styling para não ter de comprar peças que apenas usarei uma vez e das quais, na realidade, não preciso. As miúdas têm muita roupa usada, dada pela família ou comprada em segunda mão – média 70euros poupados/mês;
  • Mais experiências, menos brinquedos – Tal como escrevi no artigo “O Aniversário da Alice” , prefiro investir em experiências que me colocam mais perto das minhas filhas do que comprar brinquedos que acabam postos de lado. Não compro brinquedos novos;
  • Usar menos o carro – Poupo dinheiro em combustível usando o carro apenas quando não tenho alternativa e ao observar os meus consumos mensais percebi que tenho poupado cerca de 50 euros/mês. O próximo passo é ter uma bicicleta para cortar também nas despesas com transportes públicos e emissões;
  • Usar transportes públicos – Numa viagem Algés – Oriente, um táxi/uber cobra, no mínimo, 14 euros; levar o carro e deixá-lo estacionado o dia inteiro são, pelo menos, 10 euros; ir de autocarro são 2 euros. Andar de transportes públicos, além de poupar muito stress no trânsito ou a encontrar lugar para o carro, significa verdadeira poupança;
  • Menos electrodomésticos, mais eficientes – Não tenho máquina do café, nem máquina de lavar loiça, nem torradeira. Não tenho AC. Seco a roupa ao sol. Tento usar os aquecedores o menos possível, abusando do saco de água quente. Tiro o melhor partido possível da luz natural. As lâmpadas são económicas e só estão acesas quando estamos na divisão. Desligo a tv e a box de noite e quando saio de casa, para que não gastem energia no modo stand-by. As contas de electricidade, antes na casa dos 70euros/mês, não chegam aos 50euros/mês;
  • Minimalismo – Ter uma casa minimalista reduz os custos de armazenamento, manutenção e reparação dos objectos e anula aquela vontade de comprar mais um bibelô do qual não precisamos na realidade;
  • Apostar na qualidade dos produtos – Privilegiar a compra de produtos de qualidade, que duram mais, traduz-se em poupança;
  • Vida saudável – A sustentabilidade apoia um registo de vida saudável e naturalmente reduz as despesas de saúde;
  • Venda de usados – Porque não vender os artigos não utilizados e o alugar os raramente usados, permitindo a obtenção de lucro? Aqui já não estamos a falar de poupança e sim de lucro!
  • Consumo consciente – Digo-vos: acima de tudo, poupei muito dinheiro desde que passei a pensar com consciência nas minhas compras, não adquirindo o que não preciso e reduzindo o meu consumo;

Poupança mensal = 301,56€

Estes cálculos não são universais – baseiam-se nas escolhas anteriores e nas actuais cá de casa, adequadas à nossa família – e não são exactos – poupo em garrafas de água compradas no supermercado mas provavelmente a conta da água em casa aumentou ligeiramente, diluindo os meus esforços na poupança da água. Alguns dos valores não são mensuráveis como a redução nas despesas de saúde. No entanto, o valor da poupança associado a um estilo de vida mais sustentável é claramente positivo. Até eu, que até à data não tinha feito nenhum destes cálculos, estou surpreendida!

Com parte do dinheiro que poupo, invisto numa alimentação biológica e em produtos amigos do ambiente.

Sustentabilidade e poupança

Poupar tempo

O dinheiro não paga tudo. Como diz a guru Zero Waste, Bea Johnson, há tempo precioso que poupamos com um estilo de vida menos consumista e que não pode ser avaliado monetariamente:

  • Ao reduzirmos a acumulação e os pertences domésticos, reduzimos o número de objectos que temos de manusear, armazenar, manter, limpar e organizar;
  • A reutilização poupa tempo que seria usado a fazer compras, em transporte e a livrarmo-nos dos invólucros descartáveis;
  • Este estilo de vida foca-se nas experiências e não nas “coisas”, dando a oportunidade de nos envolvermos uns com os outros, ganhando tempo de qualidade;
  • Liberta-nos do acessório deixando-nos livres para aproveitar a jornada;
  • Aumenta as poupanças e reduz as horas de trabalho necessárias para manter o mesmo estilo de vida;

Além de poupar a nossa conta bancária, um estilo de vida mais responsável poupa o planeta em que vivemos e os seus recursos, dando-nos mais anos de vida nele. Desafio-vos a fazerem as contas em vossa casa! 🌿