O que é uma Passive House?

O que é uma Passive House?

Em 2023, dei início a uma das maiores aventuras da minha vida: comprei uma casa no campo e arranquei com a sua renovação. No entanto, eu queria mais que uma simples renovação… Preocupada com todas as questões ambientais com que o nosso planeta se depara nos tempos actuais, familiarizada com as lacunas da construção civil em Portugal e com os custos energéticos que uma casa pede na sua utilização a longo-termo, eu queria fazer diferente: a minha Casa no Campo tinha que ser uma Passive House!

O que é uma Passive House?

“Atualmente, 35% de todo o consumo de energia do planeta é da responsabilidade do setor dos edifícios, sendo a maioria das emissões de carbono referentes às necessidades de aquecimento e arrefecimento. Estas necessidades existem principalmente pela deficiência na construção, o que se traduz em casas muito frias no inverno ou muito quentes no verão, com graves problemas de humidade, bolor, ar saturado e desconforto em geral.”
– explica a Arquiteta e Passive House Designer, Tânia Martins, no site da HomeStories. Foi com ela que aprendi o que é uma Passive House. 

O que é uma Passive House?

Uma “Passive House” ou “Casa Passiva” é um edifício eficiente, que na sua utilização, aquecimento e arrefecimento, tem necessidades energéticas baixas, reduzindo significativamente a sua pegada carbónica. 

Valores referência:
Aquecimento: necessidade anuais <15 kWh (m2a) ou necessidades em pico <10 W/m2;
Arrefecimento: necessidade anuais <15 kWh (m2a) + necessidades de desumidificação ou necessidades em pico <10 W/m2;
Energia primária: PE <120 kWh (m2a) ou PER <60 kWh (m2a);
Estanquidade do ar: resultado blower door test(n50) < 0,6 rph;
Conforto térmico: temperatura entre 20 e 25ºC e excesso de temperatura <10% do tempo;
Fonte: Passive House Portugal;

Como é que se consegue a máxima eficiência em edifícios?

Projectando o edifício com base nos cinco princípios Princípios Passive House

  • Isolamento Térmico: toda a envolvente opaca do edifício, desde paredes, lajes e coberturas deve ser isolada termicamente. Só assim conseguimos que não existam trocas de calor entre o interior e o exterior;

No meu caso, 80% da envolvente opaca do edifício foi revestida com o sistema ETICS (External Thermal Insulation Composite System) da Weber com placas de EPS – Poliestireno Expandido. Os restantes 20% do edifício, de forma a deixar a parede de pedra visível pelo exterior, foram isolados, pelo interior, com placas de XPS. A cobertura também foi isolada com XPS – Poliestireno Extrudido, com 100mm de espessura, mas neste caso, num sistema com ripa metálica perfurada, incorporada no isolamento, para suporte da telha.

  • Pontes Térmicas: Uma ponte térmica é uma área ou ponto de uma estrutura onde ocorre uma quebra na camada de isolamento térmico, resultando na transferência indesejada de temperatura entre materiais ou entre o ambiente interior e exterior. As pontes térmicas podem ocorrer em diferentes partes de uma estrutura, como encontros entre paredes e tetos, janelas, lajes, pilares, vigas, cantos e soleiras;

Na Casa no Campo tive especial atenção na identificação e correção das pontes térmicas. Como exemplos: sobrepus o isolamento térmico nas zonas de transição entre sistemas aplicados; optei pela não colocação de pedras nas soleiras das portas e janelas (algo muito recorrente na construção de edifícios em Portugal) pois a pedra da soleira, ao estar em contacto com o exterior e o interior da casa, faz uma transferência (indesejada) de temperatura entre os dois ambientes; e a caixilharia foi aplicada com pré-aros de forma a não existir contacto (e trocas térmicas) entre as paredes e os caixilhos;

  • Estanquidade ao Ar: o edifício não deve ter qualquer fuga ou saída de ar para o exterior, incluindo tudo o que sejam grelhas de ventilação, chaminés e saídas de exaustores e extratores. Esta estanquidade irá garantir-nos a possibilidade de controlar a temperatura do ar interior;

A estanquidade ao ar foi talvez o princípio Passive House que mais desafios me trouxe na renovação da Casa no Campo, principalmente por ser um conceito muito desconhecido na construção civil tradicional. Para garantir este princípio, abdiquei da colocação de lareira e exaustor com extração para a rua e reboquei toda a alvenaria existente pelo interior (paredes e tectos) de forma a anular qualquer possível fissura nos materiais e fuga de ar para o exterior. 

  • Ventilação Mecânica: garantida a estanquidade ao ar, um sistema de ventilação mecânica fará automaticamente a gestão de todo o ar, de forma a extrair o ar saturado e insuflar ar limpo, previamente temperado com o ar existente, de forma a manter a temperatura de conforto;

Na Casa do Campo instalei o sistema de ventilação mecânica duplo fluxo, com recuperação de calor, SABIK, da S&P Ventilação, uma empresa líder em ventilação em Portugal. Após o arranque do equipamento, os níveis de humidade reduziram drasticamente e a qualidade do ar sente-se muito melhor. Para mim, este é um dos melhores investimentos que pode ser feito numa casa.  

  • Janelas Eficientes: as janelas e portas do edifício devem ser da máxima eficiência energética.
O que é uma Passive House?

Eu encontrei na 161 Janelas Termoacústicas a solução perfeita para a Casa no Campo: janelas em pvc, termoacústicas e de elevada qualidade, onde a aplicação é feita de forma a eliminar todas pontes térmicas: entre o caixilho e a envolvente opaca do edifício é colocado um pré-aro; entre o caixilho e o próprio vidro é colocada uma espuma à base de resinas; entre as duas partes do vidro é aplicado um perfil separador “Warm Edge”; é aplicada uma fita de estanquiedade ao ar entre o caixilho e os seus suportes para garantir que não entra ar/frio/calor por essas fissuras.

Porquê construir uma Passive House?

  • Saúde e Conforto: numa Passive House temos contorto térmico e uma óptima qualidade do ar interior, aumentando a nossa saúde e, consequentemente, a qualidade de vida;
  • Eficiência Energética: a Passive House é o mais elevado padrão de eficiência energética a nível mundial: as poupanças energéticas atingem os 75% em comparação com edifícios convencionais;
  • Sustentabilidade: numa Passive House há uma redução drástica das emissões de CO2 e as baixas necessidades energéticas facilmente podem ser substituídas por fontes de energia renováveis;
  • Acessível: o preço de construção pode ser semelhante ao de um edifício convencional. Além disso uma Passive House torna-se mais económica na sua utilização, devido às reduzidas necessidades energéticas a longo prazo. 

Certificação

Depois de garantir que todos os princípios Passive House foram cumpridos, é possível obter a Certificação Passive House. A certificação pode ser realizada pelo Passivhaus Institut ou por um certificador acreditado –  a Homegrid é a entidade certificadora em Portugal.  

INFORMAÇÃO É PODER

É para mim motivo de bastante orgulho ter conseguido reabilitar esta casa segundo pilares da sustentabilidade em que tanto acredito e que sinto que trarão diferença ao Mundo em que vivemos. Faz-me também muito sentido partilhar o conhecimento que reuni ao longo do meu processo de construção de uma Passive House, de forma a trazer informação para o público em geral. Acredito que a mudança na eficiência dos edifícios deve ser levada a cabo por governos e empresas no setor, mas defenderei sempre que um consumidor bem informado, neste caso um dono de obra bem informado, tem do seu lado o poder de exigir a melhor das soluções. 🌿

O que é uma Passive House?